A culpa
Na Louisiana e no Mississippi, procuram-se culpados: os estados não estavam preparados para reagir eficientemente a uma catástrofe natural e W. Bush não interrompeu pronto as suas férias de seis semanas. Por mim, não vejo que a presença de Bush na Casa Branca adiantasse alguma coisa em termos de eficiência e até me parece que seria benéfico conceder-lhe cinquenta e duas semanas de férias, de preferência num rancho nos arrabaldes de Bagdad, mas admito haver quem creia que o Katrina se dissiparia mais facilmente com o Presidente in situ. E que o estado de sítio seria logo controlado. E que a invasão do Iraque foi uma machadada no terrorismo islâmico. E que Hitler era um docinho de pessoa.
Procurar culpados é pecha de humano. Já assumir culpas é tão raro como encontrar-se em Portugal um autarca pobre. Claro que o sobrinho de Isaltino tem fortes economias, claro que o homem de mão de Avelino delira, claro que os "inos" são todos probos, de Felgueiras a Gondomar, passando por São Bento. Aliás, vendo bem, o conceito de culpa é estritamente psicológico e a presunção de responsabilidade coisa de vaidosos.
Desempoeiremos: a culpa, como o inferno, são os outros. Deve ter sido por isso que o orangotango, com ar arejado, que hoje me deu cabo do carro ao cortar três faixas de rodagem numa pirotécnica manobra de saída para a direita, apenas interrompida pela imbecil lei da Física que diz não ser possível dois veículos automóveis ligeiros de passageiros ocuparem ao mesmo tempo o mesmo espaço, se saiu com esta: ora, a senhora não sabia abrir um "pisca" à esquerda para mostrar que não ia sair à direita? Percebi, de imediato, estar perante um clássico: um Alexandrino, no mínimo.
Ia acabar aqui, que já esgotei a pequena pausa pós-prandial e hoje é o dia mais realista do ano, mas co-blogger que me espreitou a diatribe disse "espero que a verrina passe pelo Soares". Para não o desapontar, aproveito para esclarecer que o Alexandrino tinha bochechas.
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